As recentes declarações de Thomas Mahler, CEO da Moon Studios, reacenderam o debate sobre a estratégia da Xbox Game Studios e a forma como a Microsoft conduziu sua divisão de jogos ao longo dos últimos anos. Em meio a uma série de mudanças internas, fechamentos de estúdios e reestruturações corporativas, Mahler afirmou que a empresa esteve “focada demais no passado”, deixando escapar oportunidades importantes para fortalecer sua marca e diversificar seu portfólio.
As críticas surgem em um momento delicado para o ecossistema Xbox. Nas últimas semanas, diversos relatos apontaram para uma ampla reorganização dentro da divisão de games da Microsoft. Entre os casos mais comentados está o encerramento da Ninja Theory, estúdio responsável pela franquia Hellblade, poucos dias após apresentar um novo projeto durante o Xbox Games Showcase. Ao mesmo tempo, informações indicam que outras equipes, incluindo a Double Fine, estariam negociando alternativas para evitar um destino semelhante.
Segundo Mahler, o principal problema da estratégia da Xbox ao longo dos anos foi a dificuldade em identificar, apoiar e proteger equipes criativas capazes de expandir a identidade da marca. Em uma longa publicação compartilhada na rede social X, o executivo argumentou que a companhia dedicou atenção excessiva às suas franquias mais tradicionais, deixando em segundo plano projetos que poderiam ampliar o alcance da plataforma para novos públicos.
Ao citar sua própria experiência durante o desenvolvimento de Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps, Mahler revelou que era evidente que as prioridades da empresa estavam concentradas em franquias como Halo, Gears of War e Forza. Embora reconheça a importância dessas séries para a história do Xbox, ele acredita que a companhia poderia ter investido mais em propriedades intelectuais capazes de atingir audiências diferentes.
O executivo revelou ainda que enxergava Ori como uma oportunidade única para o Xbox construir um personagem icônico e duradouro. Sua visão era transformar a franquia em algo comparável ao papel desempenhado por Mario para a Nintendo ou Mickey Mouse para a Disney, criando uma figura reconhecida por públicos de todas as idades. De acordo com Mahler, essa ideia chegou a ser apresentada diretamente à liderança da Microsoft por meio de mensagens enviadas a Phil Spencer.
Para o CEO da Moon Studios, a resistência a esse tipo de iniciativa aconteceu porque muitos dos responsáveis pelas decisões estratégicas continuavam excessivamente ligados ao passado da marca. Em sua avaliação, essa postura limitou o potencial de crescimento do Xbox em segmentos que poderiam complementar seu público tradicional.
Apesar das críticas, Mahler acredita que a atual reestruturação pode representar uma oportunidade para mudanças profundas. Segundo ele, embora o processo seja doloroso para estúdios e profissionais afetados, a renovação da liderança e das prioridades da divisão pode abrir espaço para uma nova fase de inovação e criatividade dentro do Xbox.
Enquanto as transformações internas continuam, a Microsoft segue preparando lançamentos importantes para os próximos anos. Títulos como Halo: Combat Evolved Remake e Gears of War: E-Day permanecem entre os projetos mais aguardados pelos fãs, enquanto novas decisões estratégicas deverão definir o rumo da marca sob a gestão da CEO Asha Sharma.

