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Ex-dev da Bethesda revela por que Starfield foi ambicioso demais: “Não era nosso forte”

Starfield

Starfield chegou ao mercado como o projeto mais ambicioso da história da Bethesda Game Studios, mas, segundo um dos veteranos responsáveis pelo RPG espacial, justamente essa ambição pode ter se transformado em um dos maiores obstáculos durante o desenvolvimento.

Em entrevista ao portal FRVR, Kurt Kuhlmann, ex-designer sênior de sistemas da Bethesda, falou abertamente sobre os bastidores da produção e explicou por que o estúdio teve dificuldades para concretizar a visão original do jogo. Para ele, Starfield exigiu mudanças técnicas e estruturais que acabaram colocando a equipe diante de desafios inéditos.

Uma reformulação tecnológica sem precedentes

De acordo com Kuhlmann, os problemas começaram muito antes da criação de missões, personagens ou planetas. O projeto exigiu a maior reformulação da tecnologia da Bethesda desde The Elder Scrolls IV: Oblivion, obrigando a equipe a reconstruir sistemas fundamentais da engine antes mesmo de produzir conteúdo em larga escala.

O ex-desenvolvedor explicou que boa parte da equipe precisou aguardar a conclusão dessas ferramentas e sistemas para poder trabalhar de forma eficiente. Como consequência, o tempo disponível para criar conteúdo acabou diminuindo à medida que os atrasos técnicos se acumulavam.

Além disso, Starfield marcou uma mudança significativa na estrutura da empresa. Diferentemente dos projetos anteriores, o RPG espacial foi desenvolvido de forma colaborativa entre vários estúdios da Bethesda, fazendo a equipe crescer para cerca de 500 profissionais. Para efeito de comparação, Fallout 4 contou com aproximadamente 150 desenvolvedores.

Embora o aumento do quadro de funcionários tenha permitido expandir a produção, ele também trouxe novos problemas. Segundo Kuhlmann, diversos processos ficaram mais complexos, especialmente áreas ligadas à iluminação e integração de conteúdo, que exigiam múltiplas etapas de aprovação e compilação. Isso tornava qualquer ajuste simples muito mais demorado do que em projetos anteriores.

Nem mesmo 500 desenvolvedores foram suficientes

Apesar do enorme tamanho da equipe, Kuhlmann acredita que a Bethesda ainda não possuía recursos humanos suficientes para entregar tudo o que a proposta de Starfield exigia.

Segundo ele, a quantidade de conteúdo necessária para sustentar a visão original do jogo era tão grande que mesmo centenas de profissionais não conseguiram acompanhar a escala planejada. Na avaliação do designer, seria necessário um número ainda maior de desenvolvedores para concretizar integralmente a ideia apresentada pela liderança do projeto.

Essa constatação reforça uma das principais críticas feitas ao jogo desde o lançamento: a enorme dimensão do universo explorável acabou dificultando a criação de conteúdo mais detalhado e artesanal, característica que sempre foi um dos maiores pontos fortes da Bethesda.

A visão de Todd Howard era maior do que o estúdio podia entregar

Kuhlmann atribui boa parte dessa ambição à visão de Todd Howard, diretor criativo e chefe da Bethesda Game Studios. Segundo ele, o objetivo nunca foi simplesmente criar um “Skyrim no espaço”.

A proposta era construir um universo gigantesco, composto por inúmeros sistemas estelares e centenas de planetas exploráveis, oferecendo aos jogadores uma sensação de escala raramente vista em RPGs de mundo aberto.

No entanto, olhando para trás, o ex-desenvolvedor acredita que a equipe talvez tenha tentado alcançar algo além de suas capacidades naquele momento. Embora reconheça que o estúdio conseguiu entregar diversos aspectos impressionantes do projeto, ele admite que esse tipo de experiência não estava alinhado com as especialidades tradicionais da Bethesda.

Para Kuhlmann, os maiores sucessos da empresa sempre estiveram ligados à criação de mundos densos, cuidadosamente construídos à mão e repletos de histórias ambientais. Já a estrutura de Starfield exigia uma abordagem muito diferente, baseada em uma escala muito maior.

Comunidade continua debatendo o escopo do jogo

As declarações do ex-desenvolvedor rapidamente repercutiram entre os fãs, reacendendo discussões que acompanham Starfield desde seu lançamento.

Uma das opiniões mais frequentes entre os jogadores é que a Bethesda teria se beneficiado de um universo menor e mais focado. Muitos acreditam que reduzir o número de planetas e sistemas solares permitiria dedicar mais atenção ao conteúdo artesanal, elemento que consagrou franquias como The Elder Scrolls e Fallout.

Outro tema constantemente citado é a repetição de pontos de interesse. Diversos jogadores criticam o reaproveitamento de estruturas, inimigos, itens e elementos de narrativa ambiental em diferentes locais do universo. Para parte da comunidade, uma maior variedade procedural ou uma escala mais contida poderia ter ajudado a preservar a sensação de descoberta durante a exploração.

As declarações de Kurt Kuhlmann acabam reforçando uma percepção compartilhada por muitos jogadores: Starfield impressiona pela escala, mas talvez tenha tentado alcançar uma dimensão maior do que a Bethesda estava preparada para sustentar na época de seu desenvolvimento.

 

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