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NVIDIA admite que poderia faturar muito mais sem crise de memória que, ironicamente, ajudou a impulsionar seus negócios

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A NVIDIA divulgou mais um balanço financeiro com resultados impressionantes, mas o CEO Jensen Huang deixou claro que a companhia poderia estar faturando ainda mais se não enfrentasse um problema que, de forma irônica, ela mesma ajuda a intensificar: a crise global de memória.

Durante a apresentação dos resultados, Huang foi questionado sobre a projeção de crescimento de receita de 70% para o ano fiscal de 2028. Segundo o executivo, a estimativa já considera limitações significativas na cadeia de suprimentos.

“O número sem restrições seria muito maior. Crescemos 100% ano após ano neste ano. O número sem restrições é significativo. Então vamos ter que trabalhar muito para obter mais capacidade. E temos uma grande cadeia de suprimentos”, afirmou Huang.

Resultados seguem em ritmo acelerado

Mesmo diante das restrições de fornecimento, a NVIDIA continua registrando números extraordinários. No período mais recente, a companhia alcançou US$ 96,2 bilhões em receita, mantendo uma robusta margem bruta de 75%.

O segmento de data centers segue como o principal motor do crescimento da empresa, gerando US$ 89 bilhões em receita. O valor representa um salto de 117% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando o impacto da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Já a divisão de Edge Computing, que engloba games, workstations, PCs com IA física e soluções de robótica, registrou US$ 7,1 bilhões em receita, um crescimento anual de 27%. De acordo com a NVIDIA, o avanço foi impulsionado pela forte demanda por workstations equipadas com a arquitetura Blackwell. Por outro lado, o desempenho foi parcialmente limitado pela desaceleração nas vendas de PCs para consumidores, afetadas pelo aumento dos custos de memória e de outros componentes.

O paradoxo da NVIDIA na crise de memória

A atual escassez global de memória coloca a NVIDIA em uma posição curiosa. Afinal, a empresa é uma das maiores beneficiárias da explosão da inteligência artificial, mas também sofre com os efeitos colaterais dessa mesma demanda.

À medida que empresas de todo o mundo investem em infraestrutura para IA, a procura por componentes avançados dispara, pressionando a cadeia de suprimentos e elevando os preços. Como resultado, até mesmo a NVIDIA enfrenta dificuldades para garantir o volume necessário de componentes para sustentar seu crescimento.

Huang reconheceu o cenário durante a conferência com investidores:

“Estamos vivenciando condições de preços extremas em memória. A magnitude do aumento de preços superou nossas expectativas anteriores e está a caminho de subir ainda mais no próximo ano.”

Apesar disso, o executivo demonstrou confiança na capacidade da empresa de lidar com o problema.

“Temos uma cadeia de suprimentos gigantesca. Temos parceiros incríveis e garantimos bastante fornecimento, mas simplesmente precisamos de muito mais.”

A preocupação não se limita à NVIDIA. Recentemente, a Samsung também alertou para uma possível crise de fornecimento de memória considerada “severa” nos próximos anos, evidenciando que o problema afeta toda a indústria de semicondutores.

HBM se tornou o centro da disputa

Embora a alta dos preços atinja diferentes tipos de memória, a principal pressão está concentrada na HBM (High Bandwidth Memory), tecnologia essencial para GPUs voltadas a data centers e aplicações de inteligência artificial.

As aceleradoras da família Blackwell, por exemplo, dependem de grandes quantidades de HBM para processar modelos de IA cada vez mais complexos. Como consequência, fabricantes como SK hynix, Samsung e Micron vêm direcionando uma parcela crescente de sua capacidade produtiva para atender esse mercado.

O desafio, porém, é que a produção de HBM não pode ser ampliada rapidamente. O processo de fabricação é complexo, exige tecnologias avançadas e demanda investimentos elevados. Enquanto isso, gigantes da tecnologia competem pelos mesmos componentes para expandir suas plataformas de IA.

Dessa forma, a oferta continua abaixo da demanda, os preços seguem em alta e a disponibilidade permanece limitada. O resultado é um cenário em que a inteligência artificial impulsiona receitas recordes para empresas como a NVIDIA, mas também cria gargalos que impedem um crescimento ainda maior.

 

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