CEO da Take-Two afirma que IA jamais criará um GTA
O CEO da Take-Two Interactive, Strauss Zelnick, afirmou recentemente que a inteligência artificial não pode substituir a criatividade humana na criação de jogos como GTA. Além disso, ele destacou que o mercado interpretou equivocadamente o anúncio do Project Genie, vendo a tecnologia como uma ameaça direta aos estúdios, quando, na realidade, ela funcionaria como uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento.
“Fiquei um pouco surpreso com a reação do mercado, porque parecia encarar essa tecnologia como uma ameaça ao que fazemos, quando é bastante evidente que ferramentas de criação são uma vantagem para a indústria”, declarou Zelnick. De fato, o episódio em que o anúncio do Project Genie derrubou temporariamente o valor das ações da Take-Two ilustra como a percepção pode gerar impactos imediatos, mesmo que desnecessários.
IA cria assets, não sucessos
Para Zelnick, existe uma diferença crucial entre gerar conteúdo e criar um jogo de impacto cultural. Ele explicou: “Penso que o argumento pessimista para as grandes empresas de entretenimento é que as ferramentas de IA permitirão que qualquer um crie sucessos, mas isso não faz muito sentido. De fato, essas ferramentas podem ajudar a criar assets, entretanto, não vão te ajudar a criar um verdadeiro sucesso.”
Além disso, ele reforçou que a diferença entre produtos tecnicamente funcionais e grandes hits está no envolvimento humano: “Você pode criar assets que talvez lembrem NBA 2K ou EA Sports FC, contudo, criar um sucesso dessa magnitude é completamente diferente e requer criatividade humana e dedicação intensa.”
O talento humano como filtro da indústria
Zelnick também usou o histórico da indústria para sustentar seu ponto de vista. Apesar de existirem muitas ferramentas para criar jogos, e milhares de títulos serem lançados anualmente, os grandes sucessos continuam concentrados entre estúdios consolidados. Por outro lado, algumas exceções indie só conseguem êxito quando são bem financiadas e apresentam qualidade sólida.
“Portanto, a ideia de que novas ferramentas permitirão que alguém aperte um botão, gere um sucesso e o distribua para milhões de pessoas é ridícula. Isso nunca aconteceu no entretenimento”, completou. Para ilustrar ainda melhor, ele recorreu à música: “Hoje, existem programas que permitem escrever um prompt e obter uma faixa musical profissional. Assim, soa como música, mas te desafio a ouvi-la mais de uma vez: é apenas algo bonitinho, útil talvez para um cartão de aniversário, mas não gera impacto real.”

