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Devs da Bethesda acreditavam estar imunes a demissões: “Somos Skyrim e Fallout”

Bethesda Game Studios
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A Bethesda Game Studios está entre os estúdios mais impactados pela recente onda de demissões promovida pela divisão Xbox. A reestruturação prevê o corte de cerca de 3.200 empregos até o encerramento do ano fiscal de 2027, e pelo menos 1.600 profissionais já foram desligados. Entre eles estão desenvolvedores veteranos que participaram da criação de franquias icônicas como The Elder Scrolls V: Skyrim e Fallout, alguns com décadas de experiência dentro da empresa.

O que mais surpreendeu os funcionários, no entanto, não foi apenas a dimensão dos cortes, mas a forma como tudo aconteceu. Muitos descobriram que haviam perdido seus empregos após serem convocados para reuniões que duraram apenas dois minutos.

Funcionários acreditavam que a Bethesda estava protegida

Em entrevista ao The Guardian, Anne Barrett, ex-integrante da Bethesda Game Studios Austin, revelou que o clima nos meses anteriores às demissões já era de preocupação. Ainda assim, a equipe acreditava que o estúdio estaria protegido graças à importância de suas franquias para o ecossistema Xbox.

“Havia uma sensação de que algo estava por vir, mas pensávamos que estávamos seguros. A Bethesda é Skyrim, é Fallout. Temos projetos enormes em desenvolvimento e acreditávamos que o trabalho que fazíamos seria suficiente para nos proteger. Em vez disso, fomos chamados para uma reunião de dois minutos que encerrou, em alguns casos, décadas de carreira dentro da empresa. Foi devastador”, afirmou Barrett.

Segundo ela, a confiança vinha do histórico de sucesso da Bethesda e da relevância de seus próximos lançamentos, que continuam entre os mais aguardados da indústria.

A notícia chegou sem qualquer aviso prévio

De acordo com o relatório do The Guardian, os funcionários não receberam informações antecipadas sobre a reestruturação e acompanhavam os rumores da mesma forma que o público. A confirmação dos cortes ocorreu quando a executiva Asha Sharma divulgou o memorando conhecido como “Reset do Xbox”.

Pouco depois da publicação, os colaboradores começaram a ser convocados para reuniões individuais, nas quais descobriram se permaneceriam ou não na empresa.

Barrett relembrou que sua reação inicial foi de incredulidade.

“Passei o dia inteiro rindo porque simplesmente não conseguia acreditar. Pensava que aquilo não podia estar acontecendo. Alguns colegas ficaram completamente devastados. Muitos não entendiam o que estava acontecendo e alguns chegaram a passar por momentos muito difíceis emocionalmente. Só no dia seguinte a realidade me atingiu. Passei sete anos construindo minha carreira ali. Na faculdade, as pessoas me chamavam de Bethesda porque trabalhar na empresa era meu sonho. E, de repente, tudo acabou”, contou.

Perda de veteranos preocupa o futuro de The Elder Scrolls VI e Fallout

Além do impacto humano, as demissões levantaram questionamentos sobre os efeitos que a perda de profissionais experientes pode causar nos futuros projetos do estúdio. Atualmente, a Bethesda trabalha em títulos de grande porte, incluindo The Elder Scrolls VI e Fallout 5, dois dos RPGs mais aguardados pelos fãs do Xbox.

Para Barrett, o conhecimento acumulado ao longo dos anos não pode ser substituído facilmente.

“Não sei como é possível manter o mesmo nível de qualidade sem o conhecimento institucional que foi perdido. Trabalhamos com tecnologia proprietária e nossos jogos possuem uma identidade muito específica. Quando você perde as pessoas que criaram e aperfeiçoaram essas ferramentas ao longo de décadas, não basta contratar alguém novo e esperar o mesmo resultado. Você não substitui instantaneamente profissionais que passaram 15 ou 20 anos desenvolvendo essa expertise”, explicou.

Um problema que afeta toda a indústria

Na visão da ex-funcionária, a situação da Bethesda reflete um desafio maior enfrentado pela indústria de games. Segundo ela, muitas empresas passaram a priorizar resultados financeiros de curto prazo em detrimento da criatividade que ajudou a tornar os jogos AAA tão relevantes para o público.

“Os jogos AAA nunca foram valiosos apenas porque eram grandes ou visualmente impressionantes. Eles eram especiais porque os estúdios tinham recursos para experimentar, inovar e assumir riscos criativos. Hoje vejo muitas empresas repetindo as mesmas fórmulas. E, em qualquer forma de entretenimento, quando você faz a mesma coisa vezes demais, as pessoas acabam perdendo o interesse. Gostaria de ver a indústria voltar a investir de verdade em criatividade”, concluiu.

As declarações reforçam a preocupação de muitos profissionais e jogadores sobre os impactos que as recentes demissões podem ter não apenas na Bethesda, mas também no futuro dos grandes projetos da indústria.

 

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