Capcom redefine padrão — mas nem tudo pode seguir o mesmo caminho
A Capcom, sem dúvida, elevou significativamente o nível da indústria com seus remakes modernos da franquia Resident Evil. Além disso, ao reconstruir clássicos praticamente do zero, a empresa conseguiu modernizar gráficos, mecânicas e desempenho, ao mesmo tempo em que preservou a essência original. No entanto, embora esse modelo tenha funcionado muito bem para jogos de terror, por outro lado, ele não se aplica facilmente a outros gêneros — especialmente RPGs de grande escala.
Ex-Bethesda explica por que remakes totais não funcionam
De acordo com Nate Purkeypile, ex-desenvolvedor da Bethesda, de fato, esperar que jogos como The Elder Scrolls V: Skyrim ou Fallout 4 recebam remakes no mesmo nível de Resident Evil 2 não é realista. Segundo ele, em entrevista ao canal Kiwi Talkz, a complexidade técnica envolvida nesses RPGs representa um dos principais obstáculos.
Além disso, Purkeypile ressaltou que os jogos da Bethesda possuem inúmeros sistemas interconectados, como inteligência artificial dinâmica, física avançada e lógica de missões. Consequentemente, recriar tudo isso do zero, mantendo o mesmo comportamento, seria extremamente difícil. Em outras palavras, trata-se de um desafio técnico que poucos estúdios estariam dispostos a enfrentar.
Terror linear vs mundos abertos massivos
Por um lado, os remakes da Capcom funcionam justamente porque são experiências mais lineares e controladas. Os jogos da série Resident Evil apresentam ambientes delimitados e progressão cuidadosamente guiada. Dessa forma, a reconstrução completa se torna mais viável.
Por outro lado, RPGs como Skyrim e Fallout são definidos pela liberdade. Ou seja, seus mundos abertos permitem múltiplas abordagens e interações emergentes. Portanto, qualquer tentativa de remake exigiria recriar não apenas o conteúdo, mas também todos os sistemas que sustentam essa liberdade — algo extremamente complexo.
Remaster surge como solução mais viável
Diante desse cenário, a Bethesda tem adotado uma abordagem mais prática. Em vez disso, o estúdio opta por remasterizações, como The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered. Assim, o jogo recebe melhorias visuais e de desempenho, muitas vezes com engines modernas como a Unreal Engine, enquanto a estrutura principal permanece intacta.
Segundo Purkeypile, essa estratégia funciona melhor para projetos dessa escala, já que, essencialmente, adiciona uma nova camada visual sem exigir reconstrução total.
Escala dos projetos reforça o desafio
Além disso, há também a questão do tempo e dos recursos. A Bethesda segue focada no desenvolvimento de The Elder Scrolls VI, um projeto ambicioso anunciado há anos. Inclusive, esse longo ciclo de produção evidencia o esforço monumental necessário para criar um RPG desse porte.
Portanto, embora a ideia de ver Skyrim ou Fallout 4 totalmente refeitos seja atraente, na prática, a realidade da indústria mostra que nem todo modelo de sucesso pode ser replicado em contextos diferentes.